Ed. Granada: quando um edifício inteiro fala a mesma língua
Da fachada ao apartamento decorado, o Ed. Granada foi pensado por um só estúdio. É essa continuidade que dá identidade a um empreendimento — e o faz valer mais com o tempo.
Há edifícios que parecem reunir partes que nunca se conheceram. A fachada diz uma coisa, a portaria diz outra, e o apartamento decorado parece pertencer a um terceiro projeto. Cada etapa foi entregue a um fornecedor diferente, e o resultado, ainda que competente em cada pedaço, não se sustenta como um todo.
O Ed. Granada, entregue pela OMS Construções em Balneário Camboriú em 2024, nasceu da escolha oposta. O design de todo o edifício — fachada, portaria, área de lazer, acabamentos e dois apartamentos decorados — ficou sob a responsabilidade de um único estúdio. E é isso que se sente ao percorrer o prédio: a impressão de estar dentro de uma só ideia, do passeio público até o quarto.
Uma língua que começa na calçada
A fachada é a primeira palavra de qualquer edifício. No Granada, os panos de trama em tom de madeira sobre o volume claro definem desde a rua o vocabulário que vai reaparecer lá dentro: o natural conversando com o contemporâneo, a textura suavizando a linha reta.
Esse mesmo vocabulário continua na portaria e nas áreas comuns, e depois atravessa a porta dos apartamentos. Não por repetição literal, mas por coerência de intenção: os mesmos tons quentes, a mesma preferência pela luz natural, a mesma textura honesta dos materiais. Quem entra não precisa que ninguém explique — o edifício se explica sozinho.
Dois apartamentos, duas atmosferas, uma só assinatura
Os dois apartamentos decorados mostram algo importante sobre coerência: ela não significa uniformidade. Um deles aposta em um clima mais natural e acolhedor, com fibras trançadas, madeira clara e o branco que abre o espaço. O outro caminha para um tom mais refinado, com a mesa de vidro, a marcenaria amadeirada e os detalhes que dão um passo a mais de sofisticação.
São personalidades distintas — pensadas para públicos distintos —, mas ambas falam a mesma língua de base. É a diferença entre variar o assunto e trocar de idioma. Quando o design parte de um mesmo estúdio, é possível oferecer variedade sem perder a unidade.
Por que isso valoriza o imóvel
Costuma-se falar em valorização como se ela viesse só do metro quadrado ou da localização. Mas há um valor mais silencioso, e mais durável, que nasce do design.
Um edifício coerente é mais fácil de lembrar e mais agradável de habitar. A pessoa que visita um apartamento decorado bem resolvido consegue se imaginar morando ali — e essa projeção é o que aproxima da decisão. As áreas comuns que conversam com a fachada, os acabamentos que fazem sentido juntos, a portaria que recebe bem: tudo isso constrói a percepção de um lugar cuidado, e lugares cuidados se valorizam.
Não se trata de ostentar. Trata-se de identidade. Um empreendimento com linguagem própria se torna uma referência, e referência é um ativo que o tempo não corrói — pelo contrário, costuma fortalecer.
O argumento a favor do design centralizado
Distribuir o design de um edifício entre vários fornecedores quase sempre parece mais simples no início. Mas o custo aparece depois, na forma de ruído: decisões que se contradizem, materiais que não dialogam, uma identidade que se dilui.
Concentrar o design em um único estúdio resolve isso na origem. Há uma só leitura do empreendimento, um só fio condutor, uma só pessoa responsável por garantir que a última maçaneta do apartamento converse com a primeira pedra da fachada. Para a construtora, isso significa um produto mais forte e uma marca mais clara. Para quem vai morar, significa entrar em um lugar que faz sentido por inteiro.
Foi essa a proposta do Granada, e é assim que entendo o papel de um escritório de arquitetura de interiores dentro de um empreendimento: não como mais um fornecedor, mas como a mão que mantém a coerência do começo ao fim.
Porque um lar se constrói — e um bom edifício também. Sempre como um projeto pensado para o tempo.